Arquivos Mensais: dezembro 2009

Folha de São Paulo: malícia ou incompetência?

Ultimamente tenho notado uma tendência da Folha de São Paulo em responsabilizar tudo que acontece na Interwebs como fruto de “piratas virtuais”. Eu estaria disposto a considerar isso simples incompetência, não fosse a confusão que isso gera e a frequência com que acontece.

Aos iniciados nas artes da informática, essa “confusão” da imprensa tem uma desgostosa sensação de déjà vù. Com o início da propagação dos computadores pessoais, surgiram os hackers. Em inglês, o sufixo -er significa ”aquele que faz”, semelhante ao nosso “-eiro”: sapateiro, costureiro, … Já hack nada mais é que a nossa velha conhecida gambiarra. O motivo pelo qual hoje associamos a palavra hacker a malfeitores virtuais foi justamente a incompetência, ou talvez malícia, da mídia, que usava essa inocente palavra “aquele-que-faz-gambiarras” como sinônimo para ”aquele-que-quebra”, os crackers. Hoje em dia, corrigiu-se o problema usando a terminologia “white hat” e “black hat”. Os hackers bonzinhos são os de chapéu branco e os malvados são os de chapéu preto. Claro que na vida nada é tão simples assim e existem os “grey hats”, “red hats”, “blue hats”, “polka-dot hats”, …

Confusão similar faz a Folha ao usar o mesmo termo para designar quem infringe direitos autorais e hackers, seja lá qual for a cor de seu chapéu. É importante que o nome “pirata” esteja o mais livre possível de preconceitos em uma época em que o Partido Pirata sueco chegou ao parlamento e que o embrião de um partido pirata brasileiro começa a se formar. Mais importante ainda se nos lembrarmos de que o que está em jogo não é apenas o direito ou não de se baixar arquivos da internet, mas também uma legislação que englobe e entenda a Internet. Segundo a constituição brasileira, por exemplo, qualquer cidadão tem direito de se expressar livremente, salvo em anonimato (artigo 5º, inciso IV); uma demonstração de que mesmo algumas das leis básicas não são válidas na rede.

A Folha, ao tratar ambos como a mesma coisa, confunde e desinforma ao invés de cumprir seu papel como fonte de informação.

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